Press "Enter" to skip to content

Paradigmas Tradicionais x Paradigmas Emergentes na Educação

0

As práticas educativas sofrem com os paradigmas tradicionais em solo nacional e internacional de modo geral. Etimologicamente, o termo paradigma tem origem no grego paradeigma que significa modelo ou padrão, correspondendo a algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido em determinada situação. O paradigma tradicional, por sua vez, está relacionado à fragmentação do conhecimento e a supervalorização da visão racional sobre a emocional. Sua influência é vasta: divisão do conhecimento em áreas, cursos e disciplinas. Não favorecendo, desta forma, uma interdisciplinaridade, de modo a fazer com o que o aluno se desdobre em muitos outros iguais para dar conta de conceitos que não se encaixam; Instituições organizadas em departamentos; Especialidades na mesma área do conhecimento. Quando o referencial é o aluno, o paradigma tradicional pode ser observado quando o aluno é um mero espectador e não o ator da sua própria história. Sua experiência não é válida para sala de aula e, assim, a atividade realizada em sala de nada acrescenta no seu contexto. Uma educação baseada em copiar, memorizar e reproduzir conteúdos. Alfabetizam-se máquinas! Deveria ser o slogan de escolas que estão centradas no paradigma tradicional.

Em uma análise as charges, são possíveis identificar muito do que foi citado agora. Comumente presente nas ilustrações, a figura do professor como alguém “opressor” que não se importa com o bem estar do aluno e só com o visto de “ok” no plano de aula que precisa ser entregue a coordenação da escola para prestação de contas ao final do ano. Não é interessante para o sistema governamental gerar, na sociedade, mentes que pensem fora da caixa. É a representação mais clara que se pode imaginar de bois indo ao matadouro. Todos no mesmo caminho, sem se perguntar o motivo pelo qual estão ali e por qual razão precisam mesmo ir. Como muito bem apresentado pelo cantor e compositor Gabriel O Pensador:

Eu tô aqui Pra quê?
Será que é pra aprender?
Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer?                         

Desta forma, os professores presentes na charge não encorajam os alunos e não são capazes de encorajá-los de modo a permitir que se pergunte por qual motivo todos os bois devem ir ao matadouro. Outro aspecto bastante visível nas ilustrações é a linearidade da sala de aula, os alunos não passam de alunos. Eles não podem ganhar a função de autor, compositor, artista da sua própria história. Precisa enquadrar-se em alguma das possibilidades passadas pelo professor que nunca é mediador. Sempre um professor de caráter único: “Eu detenho todo o conhecimento!”.

Em contrapartida ao paradigma tradicional, um novo paradigma ganha força e precisa ser reconhecido por todos os autores da educação do país: Paradigma Emergente. Tema que não está contido em nenhuma das charges apresentadas, tendo em vista que em todas se têm uma imagem alienadora do sistema educacional, seja público ou privado.

Alguns aspectos dos paradigmas tradicionais precisam e podem ser superados com muita persistência e boa formação do professor que deve agir como mediador, permitindo, assim, metodologias ativas, por exemplo, onde o aluno é o centro da aula, do aprendizado. A falta de contexto e ligação com outras áreas do conhecimento afeta o aluno que enxerga no seu dia a dia, sem saber, talvez, todas as áreas unidas e em plena harmonia. Então a ciência não tem vida. É um conhecimento morto que faz peso ao cérebro. É preciso superar, também, alguns aspectos mais antigos dentro da escola. Como por exemplo, o uso da lousa para escrita intensa no quadro. Onde o aluno deve copiar, copiar e copiar. Sem participar, participar e participar. A inversão dos valores mudou: Genial! Os pais cobram dos professores algo que deveria ser perpetuado com mais veemência pelo aluno. A falta de flexibilidade caracteriza o paradigma tradicional. O aluno enxerga o valor de x como algo já determinado e não tem a mínima ideia onde vai usar isso amanhã quando for às compras com a mãe.

Como vencer esses problemas encontrados numa educação ainda muito enraizada no Brasil? A inserção de tecnologias digitais da informação e comunicação ganha força neste aspecto, mas é preciso entender que ao utilizar tecnologia em sala de aula, o risco de se confundir informação com conhecimento é latente. A informação por si só não modifica o ser, já o conhecimento altera o comportamento humano. Desta forma as TDIC’s representam um meio pelo qual é possível chegar ao paradigma emergente. Algumas outras possibilidades que cativem mais o aluno e entregue voz, vez, participação, sentimento de pertencimento pela sua própria história. Não padronizar é fundamental. Cada cabeça é um mundo, no ditado popular.  Música, arte, trabalhos, pesquisas, investigação, experimentos, experiências, vivências, todas essas palavras remetem um processo de ensino/aprendizagem que pode fazer com o que a sala de aula passe de várias fileiras de ouvidos para fileiras de criatividade e desenvolvimento individual e em grupo. A ressignificação da sala de aula, a vivência da ciência, o despertar para a escola. Esses aspectos são possíveis se o aluno se sente em casa na escola. Se o lugar for seu, houver pertencimento.

Referências

AS TECNOLOGIAS DIGITAIS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA EDUCAÇÃO: DESAFIOS, RISCOS, E OPORTUNIDADES Patrick Medeiros de Jesus – CEFET – MG, Reinaldo Ríchardi Oliveira Galvão – CEFET – MG, Shirley Luana Ramos -CEFET- MG

PARADIGMA TRADICIONAL E PARADIGMA EMERGENTE: ALGUMAS IMPLICAÇÕES NA EDUCAÇÃO Wallace Carvalho Ribeiro* Wolney Lobato** Rita de Cássia Liberato***

O PARADIGMA EDUCACIONAL EMERGENTE: implicações na formação do professor e nas práticas pedagógicas Maria Candida Moraes PUC/SP/Brasil

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *