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Professor, qual a importância desse assunto pra minha vida?

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É muito comum nos cursos de licenciatura deparar-se com disciplinas que abordam métodos de aprendizagem, teorias da aprendizagem, desenvolvimento, políticas educacionais, funcionamento da escola, professor como agente facilitador, etc. Toda essa conversa já é tida como praxe. Sentamos, discutimos, refletimos, estudamos filósofos renomados, uma harmonia.

É certo mesmo que a estrutura da escola do século passado muito se assemelha com a estrutura da escola deste século. Até a aula se assemelha. Alunos em fileira; ninguém pode conversar para não perder ponto na média, professor ditador ostentando poder absoluto sobre a nota, e por aí vai. No entanto os estudantes deste século não aprendem da mesma forma que no século anterior. Agora o questionamento: Onde estão as disciplinas que vão muito além de discussões, sobre o parágrafo um deste texto, e que consigam solucionar problemas como aulas extremamente expositivas? Onde estão os alunos dos cursos de licenciatura, e futuros professores, que se permitem serem inovadores? Onde está o poder de resolução de problemas tão aclamado em pesquisas para depois do ano de 2020?

De fato refletir sobre o sistema educacional como um todo é uma tarefa árdua e que rende muito café e neurônios. Mas a mão na massa ainda é sinal de que estamos indo bem. Concordo, é preciso planejamento, estudo de caso. É preciso um verdadeiro Design Thinking para pensar educação. Todavia é preciso transformar os alunos da licenciatura em verdadeiros maker’s. Alunos, isto é, futuros professores, que façam com as próprias mãos e que consigam ir além de métodos e técnicas de ensino do século passado.

Quem nunca ouviu a seguinte pergunta numa aula de delta e bhaskara (b²-4ac, desculpas, decorei a fórmula, acabou sendo sem perceber): Professor, qual a importância desse assunto pra minha vida? O professor com certo nível de ironia, ou não, responde: Importante pra passar de ano, prova. É isso, é importante e pronto.

A personalização da educação é um assunto que vem movendo pesquisadores na área da educação. Mas como? Como personalizar dentro de um sistema onde somente o número exagerado de alunos dentro de uma sala de aula importa? Como não fazer download de provas passadas para fazer uma ficha à aula de amanhã? Como se o edital do ENEM não é móvel pra o aluno? Como fazer isso? AAAAHHHH! Pipoca, Eureka!

 

 

Rubem Alves, no livro O amor que acende a lua, descreve o “boom” do pensamento como pipoca que estoura na panela. Até quanto sua cabeça é um estourar incessante de pipocas? Até quanto você, professor, consegue fazer com o que seu aluno seja uma gigante panela com o extremo poder de estourar pipocas? Sim, claro, “gabaritar” questões ele consegue. Excelente. Vai passar em medicina e isso é tudo: uhul! Mas, sem entender e sem dar significado às aulas, não vamos muito longe. Voltamos ao primeiro parágrafo deste texto de pipocas.

Quanto custa inovar? É uma pergunta lida com muita frequência aos leitores do Inovabio. Até os alunos possuem certo grau de rejeição às inovações. A cultura da sala em fileira com o professor escrevendo um mundo no quadro está enraizada. Mas é possível! Começa hoje. Na verdade ontem. Puxa, já deveríamos ter começado. Mas ainda há tempo. Pipoca, eureka! Um desfecho emocionante para um texto de pipocas: voltamos ao primeiro parágrafo deste texto.

 

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